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Literatura

Madame Bovary

Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou em um escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento por abordar o tema do adultério.

O romance é considerado por alguns autores como a primeira obra da literatura realista. Conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa.

Juntamente com a obra de Shakeaspeare, Danta, Goethe, Cervantes, Machado de Assis e alguns outros, este romance de Flaubert é um dos grandes formadores de nosso imaginário contemporâneo, tendo levado psicanalistas a se debruçarem sobre ele. Isto é o que vemos na obra de Sérgio Scotti A Estrutura da Histeria em Madame Bovary(1998), que consiste em um estudo de caso, onde ao desmontar a estrutura do romance e da personagem, nos mostra os contornos da estrutura histérica: perpetuamente instável, sempre alhures, sempre a espera, sempre insatisfeita.

Cinema

Exagerado e cheio de vontades

Cazuza é modelo para uma geração cujos desejos estão acima de tudo. O filme Cazuza O tempo não Pára, conta a história do cantor, compositor e poeta que morreu em 1992 aos 32 anos. A psicóloga Suely Gevertz (20004) se pergunta se Cazuza foi exagerado. Exagerado? Não! Ela crê ser mais apropriado dizer que ele foi "no limits". Ele não tinha limite algum e compromisso com nada, somente com seu desejo. Assim como é proposto e buscado viver na modernidade, satisfazendo desejos de forma imediata e rápida. Pessoas e situações tornam-se descartáveis durante a busca incessante por ideais de não envelhecimento, de juventude eterna e da falta de reflexão sobre as angústias humanas. Não se quer nenhum tipo de aprisionamento, nenhum compromisso com outras pessoas, com situações e nem mesmo com a vida. O maior compromisso que parece existir é com o desejo. E é urgente satisfazê-lo, a qualquer preço e com o menor esforço possível.

Devido à atualidade de suas ações, pode-se concluir que Cazuza não morreu como personagem. E talvez possamos entender por que, apesar do tempo de sua ausência, ele continua a mobilizar tanto as pessoas que chegaram a vê-lo vivo quanto aos jovens que só vieram a conhecê-lo na tela, causando êxtase: ele traduziu em ações o que a maioria dos seres humanos busca. Cazuza, homem e personagem, traz a ilusão de que todo desejo pode ser sempre satisfeito sem conseqüências nem comprometimento.

Contudo, o filme mostra, de maneira sutil, que essa turbulência dos desejos é diminuída quando se consegue manifestar emoções e sentimentos. Na medida que o jovem Cazuza lê, conhece pessoas reais e em livros, apoderando-se de obras literárias, ele adquire e expande a capacidade de se expressar simbolicamente, chegando a tornar-se um poeta. E o que é um poeta senão alguém capaz de revelar em palavras o indizível das emoções? Assim, Cazuza se acalma e amadurece.

Pena que, como para todos nós, aparecerão os custos dos caminhos escolhidos por ele. Ainda assim, ele obteve um grande ganho: dominou seus afetos e aprendeu com suas experiências. Afinal, o sentido da vida é o próprio viver.

Fonte: Viver Mente e Cérebro, n. 41, p. 15

Dica de filme: Cazuza O Tempo não Pára (100 min.). Brasil, 2004.

Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Teatro

A Loba de Ray-Ban

A peça "A Loba de Ray-Ban", com a atriz Christiane Torloni, chega a Porto Alegre após grande sucesso no Brasil. O espetáculo, com direção de José Possi Neto, apresenta um triângulo amoroso entre duas atrizes e um ator, com situações convencionais e também de bissexualidade entre os integrantes de uma mesma companhia teatral. A montagem, que discute moral e relacionamento amoroso, é uma versão feminina de "O Lobo de Ray-Ban", encenado por Raul Cortez em 1987.

O espetáculo acontece sábado e domingo, dias 17 e 18 de julho, às 21h.

Local: Teatro do Bourbon Country

Endereço: Av. Túlio de Rose, 100 - 2º piso. (Bourbon Shopping Country) - Porto Alegre - RS

Música

De onde vem o samba?

A resposta mais comum é: dos negros escravos africanos.

Sim, os negros trouxeram boa parte do ritmo do batuque que hoje consideramos samba. Mas já existem pesquisadores mostrando que o genro é bem mais antigo no Brasil do que a escravidão. Segundo o escritor Bernardo Alves, autor de Pré-História do Samba (edição do autor, 2002), esse som começou com os índios do Nordeste. Para festejar a colheita, os corumbás levavam viola e dançavam o semba, como era chamado. Já os almocreves levavam especiarias para vender no litoral, e à noite, quando acabavam o trabalho, dançavam o ssemba. Existe uma gramática da língua cariri, de 1699, que fala do samba, conta.

Ao fazer contato com os negros escravos de todo o Brasil (e não apenas da Bahia, como se imagina), o ritmo ganhou palmas, dança a chamada umbigada, em que um passista vai para o meio da roda, requebra e outro lhe dá uma batida de umbigo -, atabaque, cuíca e gongo. Todo engenho que se prezasse tinha uma boa roda de samba.

Com a transferência, no meio do século XIX, da mão de obra escrava da Bahia para o Vale do Paraíba e, logo após, com a abolição da escravatura, os negros deslocaram-se em direção à capital do país, Rio de Janeiro. Esses baianos migrados, já ex-escravos, consolidaram na então capital o que hoje reconhecemos como samba. Instalados em sua maioria na Cidade Nova, bairro central do Rio onde hoje se localiza o sambódromo, eles ali fundaram um gueto conhecido como Pequena África. Nas casas das chamadas tias baianas, as festas de umbigada corriam soltas. Ali foram incorporados outros gêneros musicais tocados na cidade, como a polca, o maxixe, o lundu e o xote. Foi assim que a receita ficou pronta e dessa mistura de temperos saiu o estilo carioca urbano e carnavalesco. Tanto que, em 1917, Donga (Ernesto dos Santos) gravou e assinou a música Pelo Telefone, considerada o marco do gênero, sobretudo no quesito autoria, já que até então tudo era criado coletivamente, sem assinatura. Até hoje as coisas funcionam um pouco assim. Numa roda de partido-alto, um inventa um pedaço, outro completa, outro emenda, lembra o sambista Monarco, da velha guarda da Portela.

Fonte: Revista Continuum Itaú Cultural, n. 24.

Dica de música: Na linha do Samba, de Ione Papas (Dabliú Discos, 2007)

Sete anos após o aclamado disco de estréia Noel por Ione, a cantora baiana volta com regravações de compositores renomados como Batatinha, Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves. O álbum conta com a participação de Fabiana Cozza e Quintento em Branco e Preto, entre outros.

 

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